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Os sinais de atenção no ensino em tempo integral

Jul 21, 2026 Tecnologia IDOPRESS

Mais de dez mil estudantes do Rio frequentas escolas municipais de tempo integral baseadas no método STEAM — Foto: Fabiano Rocha/ foto de arquivo

RESUMO

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GERADO EM: 19/07/2026 - 20:55

"Desempenho de Escolas em Tempo Integral Cai no Ideb 2019-2023"

Um estudo do Insper,divulgado pela Folha de S. Paulo,aponta queda no desempenho de escolas de ensino médio em tempo integral no Ideb entre 2019 e 2023,apesar de ainda serem superiores à média. A preocupação surge com a redução da diferença entre escolas integrais e parciais,que melhoraram no mesmo período. Pesquisadores recomendam mais estudos para compreender os fatores,incluindo impactos da pandemia. A análise destaca a complexidade de avaliar a expansão do ensino integral,ressaltando a necessidade de políticas educacionais baseadas em evidências.

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Um estudo dos pesquisadores do Insper Laura Muller Machado e Ricardo Paes e Barros — divulgado neste mês em reportagem de Rafael Cariello na Folha de S. Paulo — acendeu um alerta sobre o desempenho de escolas de ensino médio em tempo integral. Apesar de ainda ser superior à média dos demais estabelecimentos,o desempenho desses colégios no Ideb caiu entre 2019 e 2023. Como tende a ocorrer com qualquer política pública que ganhe escala rapidamente,não seria incomum alguma diminuição no impacto,à medida que mais alunos,especialmente de maior vulnerabilidade,tenham acesso a ela. No entanto,a magnitude da queda e o fato de as escolas em tempo parcial terem melhorado no Ideb no mesmo período,fazendo com que a distância entre os dois modelos se reduzisse,preocuparam os autores.

Os números merecem atenção,mas,antes de tirar qualquer conclusão definitiva,os próprios pesquisadores sugerem mais estudos para entender o que aconteceu. Não se pode descartar,apenas para citar um exemplo,algum impacto da pandemia,além de outros fatores. Por isso é preciso continuar monitorando o desempenho dessas escolas no próximo Ideb,previsto para ser divulgado no mês que vem.

Depois do estudo do Insper,Gregório Grisa e Rodrigo Luppi — ambos atualmente no MEC — divulgaram um levantamento com mais dados para o debate. Entre as conclusões,os autores argumentam que a vantagem permanece elevada no Ideb (4,91 nas 100% integrais de ensino médio ante 4,20 nas demais),que dois terços da melhoria nas escolas em tempo parcial são explicados pela melhoria na aprovação (e não na aprendizagem),e que,diferentemente do verificado no médio,no ensino fundamental a vantagem do tempo integral se manteve ou aumentou.

A aposta na expansão do tempo na escola dos alunos não foi um salto no escuro. Avaliações em redes estaduais que ampliaram o modelo indicavam resultados positivos em aprendizagem. Outros estudos identificaram efeitos longevos,para além do que é mensurado pelo Ideb,como aumento em empregabilidade e ingresso no ensino superior,além de redução na gravidez precoce e de homicídios entre jovens. Mas a literatura também identificava riscos,como o de agravamento de desigualdades ou mesmo de resultados modestos considerando os recursos envolvidos.

Mas,afinal,a expansão do tempo integral no Brasil tem sido exitosa ou não? Para quem busca respostas simples,melhor nem passar perto de debates como esse,pois há várias camadas a serem consideradas. Além do já citado desafio da escala,uma mesma intervenção pode,por exemplo,funcionar para um público,mas não para outro. Pode ser eficaz no início,mas perder intensidade depois. Às vezes determinada mudança é condição necessária,mas não suficiente para um salto significativo. Sem falar na qualidade da implementação e em fatores nem sempre previsíveis inicialmente,e que podem afetar resultados mesmo de políticas desenhadas com as melhores evidências disponíveis. Todas essas e outras questões ainda precisam de aprofundamento no caso da avaliação da expansão recente da educação em tempo integral no Brasil.

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Ultimamente,passamos a cobrar com mais ênfase que as políticas educacionais fossem baseadas em evidências. Esse é mesmo um caminho necessário,desde que saibamos reconhecer as limitações dos instrumentos de mensuração e as complexidades características de uma área como a educação. Justamente por isso precisamos de mais avaliações de qualidade,que forneçam insumos relevantes para que a sociedade avalie melhor suas políticas públicas.

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