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Diretor de 'Halloween' e 'Fuga de Nova York', John Carpenter lança HQ e músicas a partir de sonho

Aug 7, 2026 Tecnologia IDOPRESS

John Carpenter,diretor de cinema que também compõe suas trilhas sonoras,em obras como 'Halloween' — Foto: Divulgação

Mestre do terror desde “Halloween”,thriller de baixo orçamento que lançou em 1978 e abriu o caminho para alguns clássicos do cinema de horror,como o sanguinolento “O enigma de outro mundo” (1982) e “Eles vivem” (1988),o diretor americano John Carpenter,de 78 anos,deu um tempo nas telas e está lançando “Cathedral”. É uma obra que ganhou dois formatos praticamente complementares: uma graphic novel e um álbum de hard rock (o livro foi lançado na última terça-feira; e o álbum está sendo lançado hoje).

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Como explica o New York Times em reportagem publicada ontem,a história em quadrinhos,escrita com a mulher de Carpenter,Sandy King,e Sean Sobczak,acompanha policiais de Los Angeles nas entranhas de uma igreja abandonada após um assassinato brutal. Tudo casa muito bem com a trilha sonora impactante de “Cathedral”,com seus riffs de guitarra poderosos,bateria implacável e sintetizadores gélidos.

‘Na cabeça de todo mundo’

Os quadrinhos começaram a nascer há dois anos,a partir de um sonho que qualquer um consideraria assustador,mas não o cineasta. Carpenter sonhou com uma catedral abandonada com dois elevadores em seu interior,capazes de lançar os passageiros a profundezas desconhecidas,como relata o New York Times. Em vez de ir para as telas,como de costume,o sonho inspirador ganhou o formato de quadrinhos. “Dirigir é muito estressante”,disse ele ao jornal numa entrevista em junho,em Hollywood.

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Capa de álbum "Cathedral" de John Carpenter — Foto: Divulgação

O site Creative Bloq citou Carpenter dando outros detalhes sobre a inspiração inicial: “Eu vi isso num sonho: uma paisagem de pesadelo nas profundezas da terra,repleta de monstros tão estranhos e sinistros que não existiriam à luz do dia. Soube instantaneamente que precisava tirar essas coisas da minha cabeça e colocá-las na cabeça de todo mundo.”

No fim das contas,temos em ação alguns elementos clássicos da extensa obra do diretor: uma investigação policial,catacumbas subterrâneas,um mal ancestral circulando por aí,livre e solto. E há também seus temas clássicos de paranoia e claustrofobia.

O Creative Bloq classifica o estilo artístico dos quadrinhos como sombrio e cinematográfico,gótico e repleto de elementos de terror,combinando traços atmosféricos com um forte uso de sombras e cores,ecoando o enquadramento e a arquitetura sinistros de filmes como “Príncipe das Trevas”.

Redescoberta

Carpenter coescreveu e tocou nas 14 faixas do álbum da banda com seu filho,Cody Carpenter,de 42 anos,e seu afilhado,Daniel Davies,de 45. “Minha técnica não é muito boa e eu não pratico”,disse ele ao jornal americano.

“Cathedral” é o quinto álbum de estúdio do trio. Carpenter cresceu em Bowling Green,Kentucky,filho de um professor de música. Sua formação musical foi muito útil quando se mudou para Los Angeles,nos anos 1960,para estudar na Universidade do Sul da Califórnia. Foi lá que ele se familiarizou com sintetizadores modulares,marca registrada de suas primeiras trilhas sonoras.

Esse álbum de Carpenter chega num momento em que sua filmografia está sendo descoberta e aclamada pela Geração Z e os millennials. No ano passado,uma retrospectiva de seus filmes em Los Angeles,com várias noites de duração,esgotou rapidamente.

Obra social e política

“Os filmes de Carpenter mudam de significado com o tempo”,disse Alex Ross Perry,roteirista e diretor independente e admirador de John Carpenter,ao New York Times. “Se você assiste a ‘O enigma de outro mundo’ ou ‘Eles vivem’ aos 13 anos,são thrillers de ficção científica divertidos. Mas se você os assiste na faixa dos 30 ou 40 anos,são retratos profundos e significativos da mentalidade da Guerra Fria e do conservadorismo americano.”

Para Carpenter,longe das telas desde 2010,quando lançou “ Aterrorizada”,o aumento da atenção é gratificante. “Já me chamaram de tudo quanto é nome,recebi todo tipo de crítica negativa. E agora? É fantástico”,disse ele ao jornal americano.

Mas o entusiasmo do criador se concentra na música: “Filmes são complexos e caros. Mas,com a música,você não precisa falar sobre ela. Você pode simplesmente ouvir”,disse ele ao New York Times.

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