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'Tinha deixado bem claro que eu não queria o nenem', diz mãe que confessou ter sufocado recém-nascido

Jul 29, 2026 Ai IDOPRESS

Pais de recém-nascido encontrado morto em Duque de Caxias,na Baixada Fluminense,que confessaram o homicídio — Foto: Reprodução

RESUMO

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GERADO EM: 29/07/2026 - 00:40

Mãe confessa sufocamento de recém-nascido em Duque de Caxias: pais presos

Em um caso chocante em Duque de Caxias,uma mãe confessou ter sufocado seu recém-nascido,afirmando que não desejava o bebê. O crime foi descoberto após a equipe médica do Hospital Adão Pereira Nunes perceber inconsistências no relato dos pais e chamar a polícia. Ambos os pais foram presos e mantidos sob custódia,com a Justiça destacando a frieza e crueldade do ato.

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Um bebê,enrolado numa camisa de cor preta e duas sacolas plásticas de supermercado,chega levado por um homem ao Hospital Adão Pereira Nunes,em Saracuruna,em Duque de Caxias,na Baixada Fluminense. O recém-nascido de pele rosada,cabelo castanho escuro,parecia estar dormindo,mas não respirava mais. Imediatamente,uma médica,uma enfermeira e uma técnica de enfermagem retiram a criança do invólucro plástico,dando início ao procedimento de ressuscitação. Era tarde demais. O menino,que sequer ganhou um nome,já estava morto.

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A cena ocorreu na manhã do último dia 25,sábado,e o bebê só foi ao hospital porque a equipe médica percebeu que havia algo errado na história contada pelos pais dele. A mãe da criança deu entrada na unidade hospitalar às 8h20,com forte hemorragia. O primeiro atendimento foi da técnica de enfermagem,que seguiu os protocolos e quis saber as causas do sangramento. Sem respostas,ela levanta o lençol que cobria a paciente e pergunta se ela estava grávida. A paciente,de 22 anos,respondeu que estava,aproximadamente,de nove meses. Daí a pergunta: "cadê o bebê?". O silêncio prevaleceu. Até que o pai da criança afirma que havia enterrado.

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Surpresa,a atendente de enfermagem insiste: "Como assim,enterrado?". Como eles ficaram calados,a profissional de saúde chamou as equipes médica e de enfermagem para a sala obstétrica,devido à emergência e,ao mesmo tempo,as polícias Militar e Civil foram acionadas.

'Cadê o bebê?'

Durante o atendimento,a médica obstetra de plantão percebeu que a placenta da paciente permanecia aderida ao útero,o qual tinha "dimensões compatíveis com gestação a termo,estimada em aproximadamente 38 a 39 semanas". Encaminhada ao centro cirúrgico,a placenta foi retirada e a situação,estabilizada. Mas a pergunta ecoava: "cadê o bebê?".

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O pai do recém-nascido,de 29 anos,contou que o bebê nasceu entre 4h30 e 5h,na casa da avó da namorada,mais precisamente na varanda. Ela deu à luz sobre um papelão no chão. Disse ainda à médica e à enfermeira que a criança chorava muito e que,depois de permanecer com a mãe,parou de chorar. O cordão umbilical,contou ele,foi cortado com uma tesoura por ela própria. Enquanto dava explicações à equipe do hospital,a mãe da criança teria chamado ele de "frouxo",ordenando que não respondesse mais nada.

A gravidez teria sido mantida em segredo. Só o casal tinha conhecimento. Para isso,ela usava roupas largas,segundo o tio da paciente,que chegou a cogitar que ela usasse uma cinta apertando a barriga. Foi esse mesmo tio quem levou o recém-nascido ao hospital a pedido do pai da criança,após a conversa com a médica e o restante da equipe,que perceberam a gravidade da situação. A indicação de onde estava a criança foi feita numa ligação por vídeo,na presença de um policial.

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A médica percebeu que os pés da paciente estavam sujos de lama e fuligem,o que corroborava a informação de que o bebê teria sido enterrado,como relatou o pai. O tio da mãe da criança disse que não teve coragem de abrir a sacola com o recém-nascido. Levou-o no mesmo carro-reboque em que trabalha. Depois de tentar reanimar o bebê sem resultado,a médica passou a examiná-lo fisicamente. Apesar do bom aspecto,sem apresentar deformidades ou erupções cutâneas,como atestou,ela percebeu que havia vestígios de terra,folhas e capim no corpo do bebê. Em sua análise,ela diz que a presença de sangue aparentemente coagulado no cordão umbilical indicava um óbito recente,embora coubesse ao IML determinar o horário aproximado.

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Com a chegada dos agentes da 60ª DP (Campos Elíseos),o pai foi preso e,assim como a mãe,ainda internada,prestaram depoimento gravado no próprio hospital. Ambos demonstravam frieza ao relatar o caso,admitindo o crime. Ela deu detalhes do que aconteceu na madrugada do parto:

— Sexta,cheguei muito mal do trabalho. As dores se intensificaram. Pedi para ele (namorado) que trouxesse uns remédios para a dor. Só depois entendi que estava em trabalho de parto. Estava na varanda,em cima de um papelão. Fiz força. Ele (o namorado) chegou e (o bebê) estava coroando (com a cabeça do recém-nascido quase exposta). Saiu com vida,chorando muito — relembrou ela.

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Ainda no mesmo depoimento,ela relatou o que motivou a decisão do casal,contando que não queria ter engravidado e já havia discutido sobre o assunto com o namorado:

— Pretendia dar a criança ou deixar com o pai. Tinha deixado bem claro que eu não queria (pausa) o neném. Ele disse: "Então também não quero". A partir daí,começou a tentativa de assassinato. Ele (o namorado) tirou a blusa,enrolou a criança,e eu sufoquei. Eu vi que não estava resolvendo. Mesmo assim,continuava chorando,respirando e o coração batendo. Eu estava muito fraca.

Segundo a mãe do recém-nascido,ela foi tomar banho para relaxar,deixando o filho com o pai. Ela lhe pediu que o retirasse do local,mas o namorado,segundo ela,se recusou.

— Ele disse que era para resolver ali mesmo e que tínhamos que ir para o hospital — relatou ela aos investigadores.

Ambos atuaram em comum acordo

Ela contou que,quando retornou,o namorado teria comentado: "ele (bebê) é muito forte e ainda chorou muito". O pai da criança,no entanto,diz que foi ela quem teria dito isso. A mãe do bebê afirmou que ambos atuaram em comum acordo; o namorado admite que concluiu o crime,mas tenta reduzir sua participação,o que é percebido pelos experientes investigadores durante seu interrogatório.

Segundo o titular da delegacia de Campos Elíseos,Túlio Pelosi,conforme informou em seu despacho de flagrante,o casal responderá por homicídio qualificado. A hipótese de infanticídio — quando a mãe mata o próprio filho durante ou logo após o parto,sob a influência do estado puerperal — foi afastada. Para isso,o depoimento da equipe médica foi fundamental,principalmente da obstetra.

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Daí,ele responde:

— Cara,ela asfixiou e eu,cara,juro pra vocês,mano,eu não tô nem me eximindo da culpa. Na hora que ela fez,eu fiquei em choque,eu não consegui fazer nada,eu não consegui falar,eu não consegui nem mexer.

Os investigadores destacam essas informações no relatório policial:

"Ela (paciente) não apresentava qualquer indício clínico compatível com depressão pós-parto ou depressão periparto,esclarecendo que a paciente permaneceu consciente,orientada e emocionalmente estável,respondendo a perguntas de forma fria,objetiva e sem demonstrar tristeza,culpa,arrependimento,remorso ou sofrimento emocional."

"Mas o que de fato deixou chocada a médica e a equipe foi que,quando perguntada se ela queria ver o corpo do bebê,ela,sem titubear,se negou veementemente,pois nunca tinha desejado aquela criança".

Crime descoberto devido à equipe do hospital

O mesmo relatório destaca que,pelo relato das testemunhas do hospital,se não fossem as intercorrências da mãe após o parto e a atenção da equipe médica aos protocolos,o crime não teria sido descoberto.

Nesta terça-feira,em audiência de custódia,a Justiça converteu a prisão em flagrante dos pais em preventiva. Em sua decisão,o juiz Rafael de Almeida Rezende pede à Secretaria de Estado de Polícia Penal que a integridade física dos acusados seja preservada "diante do temor de represálias". Ele ressalta: "A frieza e a crueldade da ação criminosa aumentam a reprovabilidade da conduta dos custodiados".

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