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Por que é quase impossível construir um robô sem a China? Entenda

Jun 16, 2026 estilo de vida saudável IDOPRESS

Um robô pratica e aprende a desembalar e dobrar caixas em um laboratório da Robosense,em Shenzhen,China — Foto: Qilai Shen/The New York Times

RESUMO

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GERADO EM: 15/06/2026 - 14:19

China lidera indústria de robótica com produção em larga escala

A China emergiu como líder na indústria de robótica,superando o Japão,devido à sua capacidade de produzir peças em larga escala e a preços competitivos,impulsionada pela indústria de veículos elétricos. Empresas chinesas como a Unitree Robotics dominam o mercado com robôs humanoides acessíveis. A crescente presença da China é reforçada por investimentos robustos e uma rede de fornecedores eficiente,tornando quase inevitável a utilização de componentes chineses na construção de robôs.

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O Japão liderou o mundo da robótica por décadas. Há mais de 50 anos,pesquisadores japoneses despertaram a imaginação do público com o primeiro robô capaz de agarrar objetos e caminhar sobre duas pernas.

Em 1984,uma equipe no Japão construiu um robô que conseguia ler partituras e tocar piano. Quando a Honda apresentou seu primeiro humanoide em 2000,parecia consolidar a liderança do país.

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Mas agora,justamente quando investidores de tecnologia,fundadores de startups e autoridades governamentais ao redor do mundo apostam que a inteligência artificial impulsionará o crescimento da robótica,essa liderança já não pertence ao Japão.

Ela pertence à China.

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No mês passado,durante o Humanoids Summit,uma conferência de robótica realizada em Tóquio,o que poderia ter sido uma volta triunfal para uma indústria construída ao longo de décadas de desenvolvimento e investimentos acabou se concentrando em outro tema: como as empresas japonesas podem encontrar espaço em um mercado cada vez mais dominado por concorrentes chineses.

The Humanoid Summit,no Centro de Convenções Takanawa Gateway em Tóquio,Japão: Aproveitando a indústria de veículos elétricos do país,empresas chinesas estão fabricando peças de robôs em uma escala e a um preço que outros não conseguem igualar — Foto: Hiroko Masuike/The New York Times

Investidores incentivaram as empresas japonesas a encontrar nichos nos quais possam competir,mesmo sem conseguir igualar os preços das companhias chinesas. Um robô dançarino da empresa chinesa Unitree Robotics atraiu as maiores multidões. Duas empresas japonesas também utilizaram robôs da Unitree para demonstrar seus softwares.

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Os fabricantes chineses dominam a cadeia de suprimentos dos robôs humanoides. Startups como a Unitree Robotics estão produzindo milhares de humanoides vendidos por menos de US$ 5 mil cada,em um ritmo e a um preço que concorrentes no Japão e em outros países têm dificuldade de igualar.

Antigamente,os robôs chineses dependiam de fornecedores japoneses e estrangeiros para componentes como sensores e articulações. Hoje,porém,essas peças também são fabricadas na China.

Tornou-se quase impossível construir um robô humanoide sem utilizar componentes de empresas chinesas,afirmou Ming Hsun Lee,chefe de pesquisa para os setores automotivo e industrial da Grande China no BofA Global Research,unidade do Bank of America.

Pessoas observam robôs disponíveis para aluguel em um centro de fornecimento de robôs em Shenzhen,na China — Foto: Qilai Shen/The New York Times

— Os custos dos componentes na China caíram rápido demais — outros países não conseguem competir — disse Lee.

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Mas fabricar robôs humanoides tem se mostrado mais fácil do que encontrar uma finalidade prática para eles. Até mesmo executivos do setor de robótica reconhecem que os modelos atuais ainda estão longe de desempenhar os tipos de trabalho que alimentaram o entusiasmo em torno dessa indústria.

E,embora a promessa dos humanoides ainda não tenha se concretizado plenamente,a China já estabeleceu uma liderança dominante em um segmento da indústria de robótica que tem utilidade econômica comprovada: a automação industrial de fábricas.

A China vem fabricando e instalando robôs industriais em um ritmo sem paralelo no mundo. Em 2024,mais de dois milhões de robôs estavam em operação em fábricas chinesas,e outros 300 mil foram instalados naquele ano — mais do que o restante do mundo combinado. As instalações de robôs industriais diminuíram em cada um dos outros maiores mercados: Japão,Estados Unidos,Coreia do Sul e Alemanha.

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No início deste mês,os reguladores chineses anunciaram uma campanha para incentivar governos locais e empresas estatais a identificar aplicações industriais para robôs humanoides.

A Booster Robotics,uma empresa chinesa especializada no desenvolvimento de robôs humanoides avançados,na Humanoid Summit no Centro de Convenções Takanawa Gateway em Tóquio,Japão — Foto: Hiroko Masuike/The New York Times

A liderança da China na corrida para construir robôs que se movem e agem como seres humanos está intimamente ligada à ascensão de sua indústria de veículos elétricos. O país tornou-se o maior exportador mundial de veículos elétricos graças a décadas de investimentos governamentais e a uma estratégia voltada para produzir internamente praticamente todos os componentes,desde parafusos até baterias de íons de lítio.

Agora,muitas empresas que fabricam peças para veículos elétricos também estão fornecendo componentes para fabricantes de robôs.

—Se uma empresa consegue fabricar componentes automotivos,então provavelmente também consegue produzir humanoides — afirmou Ming Hsun Lee.

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A Tesla,fabricante americana de veículos elétricos,deu início ao boom dos carros elétricos na China com sua gigantesca fábrica em Xangai. A rede de fornecedores que cresceu em torno da Tesla também atende ao negócio de robótica da empresa.

Embora a Tesla tenha buscado construir uma cadeia de suprimentos separada para clientes fora da China,ela ainda depende de fabricantes chineses para pelo menos 70% de seus componentes,afirmou Ming Hsun Lee.

As linhas de produção das fabricantes chinesas de veículos elétricos,incluindo a BYD e a Xiaomi,também se tornaram alguns dos primeiros locais a empregar robôs humanoides em tarefas simples,como transportar objetos.

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Alguns desses robôs foram construídos pela UBTech. Em Shenzhen,centro da indústria tecnológica chinesa,a empresa está cercada por fornecedores,muitos dos quais antes fabricavam peças para veículos elétricos e depois migraram para a robótica. A UBTech consegue obter praticamente qualquer componente em questão de horas,disse Michael Tam.

Muitas peças são produzidas por impressão 3D.

— Posso enviar um projeto às 9h da manhã e receber os componentes impressos ao meio-dia — disse Tam. — Se um fornecedor me disser que está com a capacidade esgotada,simplesmente ligo para outro.

Pessoas circulam por um dos muitos mercados de eletrônicos em Shenzhen,na China — Foto: Qilai Shen/The New York Times

Mais de 90% dos componentes dos robôs da UBTech vêm de empresas chinesas,afirmou Tam. Os principais itens que a companhia ainda importa são os chips de computador usados para controlar os movimentos dos robôs.

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Também em Shenzhen,a RoboSense,fabricante de sensores lidar (detecção e medição por luz) para sistemas de assistência à condução,iniciou um negócio de robótica em 2024.

Yang Xiansheng,vice-presidente de robótica da empresa,disse que,no passado,a RoboSense teria recorrido a companhias japonesas para obter peças para suas linhas de produção automatizadas.

— Esse já não é mais o caso. Os fornecedores chineses agora oferecem muito mais opções —”,afirmou Yang.

Uma demonstração de um robô boxeador na Unitree em Hangzhou,na China — Foto: Chang W. Lee/The New York Times

Investidores chineses aplicaram mais de US$ 5 bilhões em startups de robôs humanoides em 2025,valor equivalente ao total investido nos cinco anos anteriores. Nos primeiros cinco meses deste ano,os investimentos no setor já superaram o total do ano passado em quase US$ 1 bilhão.

Essa onda de investimentos reforça a crescente convicção de que os robôs humanoides podem se tornar uma das formas mais importantes pelas quais a inteligência artificial ganhará presença física no mundo. Dezenas de startups chinesas estão trabalhando para transformar essa visão em realidade.

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Em março,a Unitree Robotics entrou com pedido para abrir capital na bolsa de Xangai. A empresa informou neste mês que concluiu uma revisão regulatória que pode colocá-la no caminho para começar a vender ações dentro de algumas semanas. A oferta pública é esperada como uma das maiores da China neste ano,e quase 50 outras empresas ligadas à robótica aguardam para listar ações em Hong Kong.

No ano passado,a UBTech produziu 1.000 robôs humanoides. Neste ano,pretende fabricar dez vezes mais.

Fundadores de startups e investidores imaginam humanoides realizando tarefas perigosas,como monitorar fábricas em busca de vazamentos químicos e transportar cargas pesadas. Mas os robôs atuais ainda têm dificuldade para se adaptar às mudanças do ambiente ao seu redor.

Peças para diversos robôs em uma área de exposição da UBTech em seu escritório em Shenzhen,China — Foto: Qilai Shen/The New York Times

Os humanoides que chamaram a atenção internacional por dançarem de forma sincronizada em eventos como o especial televisivo chinês do Ano Novo Lunar estavam apenas seguindo roteiros pré-programados.

As empresas chinesas também enfrentam dificuldades para desenvolver softwares capazes de simular o mundo real com precisão suficiente para treinar robôs a pensar e agir. Para isso,muitas dependem dos programas de simulação da Nvidia. No mês passado,Jensen Huang anunciou uma parceria com a Unitree Robotics para uma linha de robôs que utilizará chips e softwares da Nvidia para raciocínio e tomada de decisões. A expectativa é que esses robôs estejam disponíveis em outubro.

Veja os robôs humanoides que ultrapassaram humanos em meia maratona em Pequim

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m robô corre na segunda Meia Maratona Beijing E-Town e Meia Maratona Humanoides em Pequim,em 19 de abril de 2026. — Foto: Pedro Pardo / AFP

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Um robô corre na segunda Meia Maratona Beijing E-Town e Meia Maratona Humanoides em Pequim — Foto: Pedro Pardo / AFP

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Um robô corre na segunda Meia Maratona Beijing E-Town e Meia Maratona Humanoides em Pequim — Foto: Pedro Pardo / AFP

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Um robô corre na segunda Meia Maratona Beijing E-Town e Meia Maratona Humanoides em Pequim — Foto: Pedro Pardo / AFP

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Um robô corre na segunda Meia Maratona Beijing E-Town e Meia Maratona Humanoides em Pequim — Foto: Pedro Pardo / AFP

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Humanos e robôs correram em pistas separadas durante a prova.

A maior parte dos humanoides vendidos pela Unitree nos últimos dois anos foi destinada a universidades,laboratórios e outros centros de pesquisa,onde desenvolvedores estudam como o software interage com o hardware dos robôs. Poucos estão realizando trabalho produtivo de fato.

Alguns robôs da UBTech transportam caixas e executam tarefas manuais básicas em fábricas de veículos elétricos. Ainda assim,eles permanecem muito menos produtivos do que os seres humanos. Segundo Michael Tam,os robôs atualmente alcançam apenas cerca de 30% da eficiência de um trabalhador humano,embora a empresa espere elevar esse índice para 50% ainda neste ano.

Durante o Humanoids Summit,em Tóquio,Xiaoli Chen afirmou que continua sendo um desafio criar robôs capazes de tomar decisões complexas em ambientes que mudam rapidamente.

— A Unitree recebeu muita atenção e participou de muitos eventos,mas isso não é produtividade — disse ele. — O desafio de executar trabalhos em ambientes complexos,com horizontes de planejamento de longo prazo,ainda não foi resolvido.

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