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Os dilemas de Flávio Bolsonaro na busca por uma vice mulher

Jun 16, 2026 Filmes IDOPRESS

O pré-candidato do PL à Presidência,Flávio Bolsonaro — Foto: Brenno Carvalho/O Globo

A ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques,que acaba de se engajar na campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para ser porta-voz da campanha para assuntos econômicos,não deve ser a única mulher que o filho de Jair Bolsonaro pretende atrair para o seu entorno. Pelo que se ouve dos aliados,povoar a campanha de mulheres é uma espécie de obsessão do candidato do PL,por duas razões.

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A primeira é o fato de que Flávio precisa diminuir a diferença para Lula na preferência do eleitorado feminino,que é muito grande. Na última pesquisa Genial/Quaest,divulgada na semana passada,Lula aparecia com 41% do voto feminino e Flávio,24%. O segundo motivo é regulatório. Segundo a lei eleitoral,todo partido precisa ter 30% de candidatas mulheres e gastar 30% de seu orçamento com elas.

Uma das formas de ajudar a resolver essa questão é ter uma candidata a vice que seja mulher,o que parece consenso entre todas as alas do PL. Por isso,Eduardo Bolsonaro tirou da cartola a candidatura da Júlia Zanatta (PL-SC),da ala mais radical do bolsonarismo. A iniciativa assustou os dirigentes do partido,que já vinham pensando em alternativas para compor a chapa com Flávio.

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A vice dos sonhos do presidente do PL,Valdemar Costa Neto,é a senadora Tereza Cristina (PP-MS),que além de mulher é da bancada do agro e tem boa imagem como gestora,de quando foi ministra da Agricultura de Jair Bolsonaro. Ela poderia ainda agregar apoios à candidatura,mas para que ocupa o posto é preciso,primeiro,que a federação formada pelo PP e pelo União Brasil feche uma coligação nacional com o PL – o que já foi muito provável mas,agora,com o impacto do caso Master sobre Flávio e Ciro Nogueira,principal liderança do PP,já não se sabe mais como funcionaria.

Sem coligação,será preciso encontrar outras alternativas em outras legendas,como o Republicanos e o próprio PL,o que não é considerado ideal. Mas se a vice tiver que sair do mesmo partido de Flávio,a ideia é de que seja uma mulher nordestina. Desse universo vem saindo os nomes mais citados nos últimos dias entre os líderes do PL,como o da vereadora de Fortaleza Priscila Costa,que além de nordestina é muito amiga de Michelle Bolsonaro,o que poderia ajudar no trabalho igualmente prioritário de aproximar a madrasta do enteado.

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Michelle,que é presidente do PL Mulher e passou os últimos anos organizando núcleos femininos Brasil afora,não se engajou na campanha de Flávio até agora e não demonstra nenhuma vontade de fazer isso. A ex-primeira-dama e Flávio não têm boa relação. Além disso,estão rompidos desde novembro do ano passado,quando ela criticou publicamente a aliança do bolsonarismo com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará e foi desautorizada pelo enteado.

Em reação,Flávio chamou Michelle de “autoritária” e disse que ela “atropelou o próprio presidente Bolsonaro”,que havia autorizado a aliança. Depois ele pediu desculpas em privado. Ela queria uma retratação pública.

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Após uma articulação nos bastidores que envolveu interlocutores dos dois lados,Michelle fez um aceno ao enteado ao lhe desejar “feliz aniversário” em suas redes em 30 de abril,quando Flávio comemorou 45 anos.

O passo seguinte seria uma manifestação de Michelle declarando apoio explícito à candidatura do senador ao Palácio do Planalto,mas o movimento foi abortado com a divulgação dos áudios em que Flávio cobra de Daniel Vorcaro dinheiro para o filme sobre a vida de Jair Bolsonaro.

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Na semana passada,ao responder a perguntas de repórteres,a ex-primeira-dama afirmou que se engajaria na campanha de Flávio “no momento certo”. Mas no entorno dela o que se diz é que Michelle,que pretende se candidatar a senadora pelo PL no Distrito Federal,fará apenas o mínimo necessário para não criar muitos ruídos.

Sem a presença da liderança mais carismática do PL no palanque,vai restar a Flávio recorrer aos planos B do partido. Nesse contexto,Daniella Marques vira uma espécie de curinga para a campanha,preenchendo ao mesmo tempo dois vácuos: o de quadros para gerir a economia e o de mulheres.

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